Novas tecnologias podem ser obstáculo para corretores

O desejo por processos digitais e a maior informação pelos clientes começam a inibir a atuação dos profissionais de seguro; a demanda é por adaptação

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A adesão das novas tecnologias para a contratação de seguros será um obstáculo para os corretores. O desejo por processos digitais e a maior informação por parte dos clientes já começa a inibir e até a limitar a adaptação dos profissionais ao mercado.

De acordo com o Next5, estudo realizado pela Liberty Seguros e pela Inova Consulting e divulgado ontem, em evento, os principais pontos de atenção não apenas para os corretores, mas também para as próprias corretoras dizem respeito à conectividade e inovação de processos.

Para o presidente da Inova Consulting, Luis Rasquilha, apesar de as grandes companhias já estarem trazendo algumas mudanças, os corretores de seguros ainda não estão se adaptando.

“Tirando as grandes corretoras, a grande maioria tende a esperar que o mercado faça as alterações e dê um direcionamento. Mas a velocidade da mudança, nessa situação, acaba ficando diferente e cria um desalinhamento entre seguradora, cliente e corretor”, explica o executivo.

 

O grande volume de informação disponível aos segurados também acaba trazendo dificuldades aos profissionais de seguros. “O corretor precisa se preparar e o prazo é de, no máximo, cinco anos. Se isso não acontecer, a dificuldade será grande, principalmente com a entrada cada vez mais forte de insurtechs”, acrescenta Rasquilha.

Ainda segundo o levantamento, por exemplo, dentre os focos a serem trazidos pelo mercado segurador, um dos principais é a “globalização como força e poder da sociedade”, onde o cliente consegue se informar até mais do que o próprio vendedor sobre o produto de interesse.

Além disso, também foram destaque a “conectividade permanente e convergente”, onde há a ligação entre empresas, pessoas e máquinas; “alterações demográficas e o impacto de gerações”, com idades, crenças e energias diferentes no setor e “a economia da experiência”, a qual prega que, caso a experiência valha a pena, o preço não é importante.

“Tudo tende a uma transformação muito rápida e, apesar de a economia mostrar que teremos anos melhores à frente, precisamos mudar porque o mundo que nós conhecemos está desaparecendo e um outro universo está chegando. E o desafio é a coexistência dos dois”, complementou o presidente da Inova Consulting.

Já de acordo com a diretora de estratégia e marketing da Liberty Seguros, Patrícia Chacon, as mudanças não possuem um tempo determinado para se concretizarem e a importância está na oferta de processos tecnológicos.

“O comportamento se altera ao longo do tempo e nós enxergamos que não é possível simplesmente trocar o tradicional pelo digital. É necessária uma transição gradual para que as pessoas sigam se incluindo no processo conforme necessário”, avalia a executiva.

Um ponto explicitado pelos executivos da seguradora para exemplificar a adaptação dos clientes é a adoção de 60% dos clientes nos sinistros online.

“O nosso futuro é continuar investindo no mundo digital”, afirmou o presidente da Liberty, Carlos Magnarelli, ao DCI.

“Atualmente, conseguimos mapear todo o caminho do cliente para conseguir trazer um relacionamento mais digital com a companhia, porque identificamos que essa é a demanda. O segurado quer uma ligação mais rápida, fácil, direta e da maneira que ele mais gostar, seja ela por telefone ou por novas tecnologias”, disse.

Chacon detalha, ainda, o esforço da seguradora em também criar laços com insurtechs. “A análise é por um trabalho em conjunto e a tendência é adotar novos modelos, seja com investimentos ou com parcerias”, acrescenta.

Futuro dos segurosJá em relação ao futuro, o diretor da área comercial da Liberty, Marcos Machini, reforça o “impacto direto nos negócios”.

“O mercado de seguros de automóvel, por exemplo, vai diminuir. Já emitimos 30% menos carteiras de habilitação e existem menos pessoas dirigindo. Assim, serão menos carros circulando. É preciso que nos adaptemos às novas necessidades dos clientes para alcançarmos os 70% de clientes ainda não segurados”, conclui.

Fonte: DCI

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