As semelhanças no passado dos corretores de seguros com os de planos de saúde

Neste dia 5 de outubro o Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP) completa 45 anos. Sua origem foi marcada pelo ideal de dar voz aos corretores, impedidos de se manifestarem por meio de seu sindicato, durante o regime militar.

A primeira tentativa de fundar o Clube ocorreu em 1965. O então presidente do Sincor-SP, José Logullo, assíduo frequentador dos almoços do Clube dos Seguradores e Banqueiros de São Paulo, se juntou a Roberto de Souza Nazareth para criar a entidade. Mas ambos não obtiveram êxito. Anos depois, outros levaram adiante esse ideal. Em 1972, 25 corretores fundaram o CCS-SP. Para se diferenciar de uma entidade sindical, o Clube optou por ser conduzido por um mentor, em vez de presidente.

O primeiro deles foi Antônio D’Amélio, cumprindo as gestões de 1972/1974 e 1978/1980. Um dos importantes capítulos da história do CCS-SP ocorreu no dia da posse do segundo mentor, José Francisco de Miranda Fontana (1974/1976). Em seu discurso, Fontana se pronunciou sobre a publicação de projeto propondo mudança na Lei 4.594 (que regulamentou a profissão do corretor). Por esta lei, a atividade, no valor de até cinco salários mínimos, poderia ser feita sem o envolvimento do profissional. A notícia abalou a categoria, que se viu ameaçada de extinção.

O cenário foi propício para a criação da “Comissão dos Quatro”, da qual participaram Fontana, José Tolentino (então presidente do Sincor-SP), Paulo Geyneir (presidente do Sincor-RJ) e Roberto Barbosa (presidente interino do Sincor-MG). Este ‘quarteto’ foi o embrião da Fenacor. Graças a um esforço conjunto, o governo promulgou a Lei 6.317, considerada como a “carta de alforria” dos corretores.

Um feito significativo do CCS-SP foi a produção do Jornal dos Corretores de Seguros, de 1979 a 1993. Em sua gestão, Renato Guedes de Oliveira (1976/1978) idealizou uma campanha, não efetivada, em defesa da profissão. “Se você faz seguro com uma pessoa não habilitada, você não está fazendo seguro. Está comprando uma preocupação”, dizia o slogan. A presença dos bancos no setor foi alvo de debate entre os corretores nos anos 80. O mentor Eurico Lindenheim (1982/1984) lutou pela união da classe e incentivou o seu aperfeiçoamento.

O mentor Paulo Rubens de Almeida (1986/1988) enfrentou a ameaça de desaparecimento da categoria com o artigo da Comissão de Sistematização Bernardo Cabral, modificado durante votação da Constituinte. O fim da carta-patente como condição de funcionamento das seguradoras e a regulamentação das atividades (artigo 192 da Constituição) trariam, na visão do mentor João Leopoldo Bracco de Lima (1988/1990), o avanço do mercado. Para o mentor Milton D’Amélio (1990/1992), os bancos ajudaram a aumentar a produtividade, mas transformaram o seguro vendido nas agências em subproduto. Desde então, o corretor se tornou o principal canal de distribuição de seguros do Brasil.

O mentor Luis López Vázquez geriu o CCS-SP de 1992 a 1994. Visionário, em 1982, ele escreveu artigo sobre “Computador e o Seguro”, antevendo a utilidade do equipamento para cruzar dados do segurado e do ve- ículo para reduzir o preço do seguro. Lembrando-se daquele período, o mentor Henrique Elias (1994/1996), diz que o Clube era composto por boas cabeças preocupadas com o futuro da categoria. Quando o mentor Nelson Fontana (1996/1998) assumiu o CCS-SP, o resseguro ainda era monopólio, mas havia a promessa de abertura.

A venda de seguros pela internet era um tema recorrente durante a mentoria de Pedro Barbato Filho (2000/2002). Para o mentor Cesar Bertacini (2002/2004), os corretores devem sempre enfrentar os desafios da profissão e propor mudanças de paradigmas e de atitudes. Já na visão do mentor Boris Ber (2004/2006 e 2006/2008), o Clube foi uma semente para tudo que aconteceu em âmbito associativo, tais como os encontros e congressos que marcaram o mercado.

Na gestão de Nilson Arello Barbosa (2008/2010 e 2010/2012), o Clube promoveu inúmeros debates. Para esclarecer e informar os associados, o mentor Alexandre Camillo (2012/ 2013) abriu os trabalhos de seu mandato com a discussão sobre os impactos do aumento da expectativa de vida na sociedade. Sob seu comando, o CCS-SP melhorou o processo de comunicação. Na história recente do CCS-SP, a gestão do 19º mentor, Adevaldo Calegari, se destaca pela inovação na temática dos eventos, trazendo seguradoras recém-chegadas ao mercado ou especializadas, além de empresas prestadoras de serviços.

A crise econômica e política levou o CCS-SP a reunir as lideranças do mercado de seguros paulista em duas ocasiões para discutir e analisar saídas. Sobre a marca histórica de 45 anos do CCS-SP, Calegari prepara as comemorações que terão início em outubro, a partir da homenagem que a Câmara Municipal prestará à entidade, com a entrega da Salva de Prata. “O CCS-SP construiu uma linda e vitoriosa história, por meio da dedicação e empenho de muitos”, afirma.

Os fundadores

O CCS-SP foi fundado no dia 5 de outubro de 1972 pelos corretores de seguros: Abdon de Oliveira, Antonio D’Amélio, Benedito Dario Ferraz, Brasil Geraldo, Carlos Abreu Costa, Celso André, Cláudio Luiz Martins, Edgar César Portal Jorge, Geraldo Afonso Teixeira de Assunpção, Geraldo Resende de Matos, Henrique Elias, Hermínio Brandão, João Leopoldo Bracco de Lima, José de Almeida, José Querino de Carvalho Tolentino, Leonídio Jorge Valente, Menotti Minutti Junior, Milton D’ Amélio, Oswaldo Bevilacqua Festa, Oswaldo Montanini, Paulo Silveira, Petr Purm, Renato Rubens Rocchi Guedes de Oliveira, Roberto da Silva Porto, e Zenio Vergueiro Sampaio. O primeiro mentor, Antonio D’Amélio, comandou o Clube na gestão 1972-1974.

Fonte: Revista InsuranceCorp

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