II Mutirão Nacional de Reconstrução Mamária devolverá autoestima para mais de 800 mulheres pelo país

Médicos voluntários farão cirurgias de reconstrução mamária gratuitamente. Segundo o SUS, a cada 40 minutos uma mulher é submetida à cirurgia de remoção dos seios para tratamento de câncer de mama

Pela segunda vez a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), por meio da Fundação Instituto Para o Desenvolvimento do Ensino e Ação Humanitária (Ideah), criada para dar suporte às ações humanitárias, de ensino e pesquisa da SBCP, promove entre os dias 24 e 29 de outubro, o Mutirão Nacional de Reconstrução Mamária. Cirurgiões plásticos farão a reconstrução das mamas em mulheres que tiveram de retirar um ou os dois seios (mastectomia) em decorrência do câncer mamário.

Ao todo, estima-se que 842 mulheres passem pelas salas de cirurgia de cerca de 100 hospitais nos 16 estados participantes (São eles: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Pará, Pernambuco, Sergipe, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), mais o Distrito Federal. Cerca de 1.500 médicos estarão envolvidos, entre cirurgiões plásticos e anestesiologistas, todos voluntários. São Paulo será o estado com mais cirurgias realizadas: 211 em 17 hospitais, sendo que 50 delas serão realizadas no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, o ICESP.

“A SBCP é uma instituição que atua com responsabilidade humanitária e está contribuindo para ampliar o acesso a essas cirurgias e melhorar a qualidade de vida das pacientes”, afirma o presidente da SBCP, Luciano Chaves. A primeira edição do Mutirão Nacional de Reconstrução Mamária aconteceu em 2012 e atendeu ao todo, 555 mulheres. Segundo o presidente, este ano o número de cirurgias aumentou graças à doação de 500 próteses de silicone pela empresa fabricante GC Aesthetics/Eurosilicone. “O grande facilitador para a realização desse mutirão foi a doação de 500 próteses mamárias. Em 2012, dependíamos da aquisição das próteses pelas secretaras de saúde de cada cidade/estado e isso foi bem complexo. Com essa doação possibilitou, inclusive, o aumento no número das cirurgias”, explicou.

TRIAGEM

A escolha das pacientes que farão a reconstrução da mama começou a ser realizada em junho. São mulheres que estavam na fila de espera da rede pública e que não possuem plano de saúde que cubra a cirurgia. Após a seleção inicial, foram realizados atendimentos ambulatoriais e avaliação médica. As pacientes que por algum motivo possuíam contraindicação para a cirurgia, como por exemplo, mulheres que ainda estão passando por quimioterapia, radioterapia, ou estão em acompanhamento da doença, não têm a liberação do mastologista ou que não estão bem do ponto de vista clínico. Depois dessa etapa, as mulheres realizaram exames pré-operatórios e as selecionadas farão as cirurgias na próxima semana.

“Toda a coordenação, organização e logística do Mutirão não tem nenhum vínculo político. Toda a parte documental, avaliações médicas, cirurgias e acompanhamento pós-cirúrgico é realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em conjunto com suas regionais. É uma grande contribuição social da SBCP e Fundação Ideah”, afirma Luciano Chaves.

RECOSNTRUÇÃO MAMÁRIA: DIREITO GARANTIDO POR LEI

O câncer de mama é o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo (1,7 milhões de mulheres acometidas por ano). No Brasil, o número de casos corresponde a 25% dos casos novos da doença a cada ano. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) a previsão é de 57.960 casos novos sejam diagnosticados em 2016, com um risco estimado de 56,20 casos a cada 100 mil mulheres.

Toda paciente com câncer de mama que teve a mama retirada total ou parcialmente em decorrência do tratamento, tem o direito de realizar cirurgia plástica reparadora. Por lei, tanto o Sistema Único de Saúde (SUS) como os planos de saúde privados são obrigados a realizar essa cirurgia. Pelo SUS, a cirurgia de reconstrução de mama deveria ser realizada no local do tratamento do câncer de mama e, prioritariamente, ao mesmo tempo. Porém, na realidade, mulheres chegam a esperar até 10 anos para realizar o procedimento.

Segundo dados fornecidos pelo Departamento de Informática do SUS (DATASUS), a cada 40 minutos nos últimos cinco anos, uma mulher é submetida à cirurgia de remoção dos seios para tratamento de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o País. Mais de 50 mil mulheres/ano passam pela mastectomia radical. Desde 2013 uma lei obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fazer a cirurgia plástica reparadora da mama logo em seguida à retirada do câncer, quando houver condições médicas. Porém, 90% das brasileiras com câncer que passam pela cirurgia de retirada da mama no SUS, não conseguem a reconstrução imediata do seio.

“O mutirão de reconstrução de mama é extremamente importe, pois, permite que muitas mulheres que estavam há anos na fila tenham sua autoestima de volta. Estudos mostram que mulheres que tiveram a mama reconstruída tem menos índice de recidiva da doença, retomam seu relacionamento afetivo, melhora seu humor e diminui o estado depressivo”, garante Luciano Chaves.

Este artigo foi adaptado do site: Segs

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